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Mensagem do Fundador

Profundamente tocados por um drama familiar – o diagnóstico de nossa filha Bruna Rafaela com Anemia Falciforme (AF), em 2002 – lançamo-nos naquela correria desenfreada habitual nestes casos de puro desespero e angústia.

Conhecíamos mal a doença. Ou seja, sabíamos dela o que a maior parte das pessoas sem situações de AF por perto sabem : generalidades limitadas e medonhas.

E o nosso longo e sempre incompleto aprendizado começou ali : ficar a saber que os filhos herdam dos pais a patologia ; o sentimento inevitável de culpa ;  o medo do futuro, os dias tenebrosos da nossa adorada filhinha ; mas a vontade de seguir em frente, tomados pela certeza de que o Mundo de hoje não é o dos nossos avôs.

Desbravámos caminhos ; percorremos vales e montes como nos contos de fadas ; sondamos mundos distantes ;  procuramos respostas no silêncio das incertezas, até que a esperança surgiu, um dia, envolta num manto de coragem e desafio.

Com aquela força que todo pai em desespero descobre nos labirintos da luta incessante pela vida, continuamos a marcha livres de qualquer preconceito e animados, antes de mais, pela fé que remove montanhas e o amor que aduba campos estéreis.

E o resultado aqui está : não paramos, a Paula e eu, até ver que milhares de outras crianças como a nossa pequena Bruna, poderiam melhorar significativamente a sua condição de vida.

Lançamos em Junho de 2003 a ideia de nos unirmos, pais e parentes de vítimas da Anemia Falciforme, numa Associação de solidariedade. Um clube nosso, para podermos falar de nós, das nossas angústias, das nossas experiências traumáticas mas, acima de tudo, dos caminhos que nos devem tranquilizar,  dar outra qualidade de vida aos nossos filhos e parentes.

Felizmente foram muitos os que atenderam ao nosso apelo, escutaram o nosso grito;  gente de bem, cidadãos de uma dimensão humana grandiosa, dos que no meio da cólera e do deserto de altruísmo, ainda se comovem com a infelicidade vizinha ou distante.

E no dia 26 de Maio de 2007,  quatro anos depois de passos tímidos mas persistentes como Núcleo Instalador, proclamámos, finalmente, a ASSOCIAÇÃO  ANGOLANA  DE  APOIO  AOS  DOENTES  DE  ANEMIA FALCIFORME, ADAF, a nossa Associação!

Agora, só nos compete lutar.  Chegou o tempo da partilha da esperança, da entrega, da consagração. Como diz o nosso lema - ”No rasto da Esperança, sem limites” - não pararemos na busca do bem-estar para as nossas famílias, os nossos filhos, os nossos parentes, com a certeza de que do mesmo modo que o escorbuto, a peste negra e outras devastações de tempos passados, também a Drepanocytose precisará ser empurrada para o velho covil dos vilões sem graça.

Luís  Fernando

 
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